13 de dez. de 2021

O GRILO ENCANTADO


Tem um grilo no guarda-roupa

Que lá, resolveu morar.

Toda noite eu o escuto cantar

Uma canção triste de chorar.

 

É um canto triste,

Sei pelo jeito de cricrilar.

É uma canção de amor,

Sinto no seu o cricrilar.

 

Já deixei o guarda - roupa aberto

Para que ele possa ir.

Porém, ele continua lá;

Toda noite a cantarolar.

 

A noite passada

Ele passou toda noite

Provando as minhas roupas;

Que por certo

Nenhuma serviu nele.

 

Pobre grilo,

Agora ele resolveu falar.

Ele fala do seu jeito,

Só ele sabe o que diz

Como é infeliz.

 

Eu resolvi contar

As minhas aventuras,

Quem sabe ele não compreendia

A minha história de amor.

 

Ele ficou paradinho,

Esperando eu terminar.

E com apenas um cric,

Ele disse: eu entendo.

 

Eu também tenho uma história:

Um dia eu fui feliz,

Lutei muitas batalhas

Veja aonde eu fui parar.

 

Pobre grilo,

Parece que ele entende  de amor,

Parece que ele sofre por alguém

Que muito amou.

 

É que ele fica parado,

Esperando eu falar.

O seu silêncio é triste

Diz que também está sofrendo.

 

Durante o dia ele some

Não sei pra onde ele vai.

Acho que ele se esconde,

Quem sabe até vira homem. 

 

A noite vem novamente,

Ele parece gente.

Até nisso ele se parece comigo,

Ele sofre de insônia.

 

Veja que interessante:

Eu resolvi perguntar

Porque ele se trancou

No meu guarda- roupa. 

 

Desta vez ele nada falou,

Mostrou o que sentia.

Depois de um enorme esforço,

Em minha frente ele pulou.

 

Foi aí que percebi

Porque ele não ia para mata

Viver com os seus amiguinhos,

Quem sabe até amar, ser feliz.

 

O pobre grilo

Morava no meu guarda roupa

Não porque ele queria,

Ele perdera uma perninha

Em uma enorme batalha.

 

Para defender o seu amor

Ele lutou com um  predador feroz,

Na luta, ele perdeu uma perninha;

Agora ele ficou incapaz. 

 

Voltar para mata

Ele seria uma pressa fácil

Disse ele com um simples cricrilar:

Deixe-me ficar no seu guarda-roupa,

Prometo não vou lhe incomodar.

 

Meu amigo grilo,

Pode ficar o tempo  que precisar

O meu guarda-roupa tem muito espaço

Fique lá  até você se recuperar.

 

Só peço-lhe  um favor:

Cante baixinho

De tristeza já basta o meu sofrer,

Amanhã tenho que trabalhar.

 

Nesta terra ,

Quem tem contas a pagar

E quem tem casa pra morar,

Todos precisam trabalhar.

 

O tempo passou

E não vi mais o grilo cantar,

Acho que ele desencantou,

Virou gente.

 

Um dia eu acordei cedinho

E resolvi olhar o guarda-roupa

O grilo tinha sumido,

Só vi uma pegada no chão.

 

Notei no meu quarto

Uma pegada de um pé

Saindo do meu quarto,

Era um pé de gente.

 

O grilo virou gente,

Ele saiu pelo mundo afora.

Foi procurar alguém

Que também possa amá-lo.

 

No dia seguinte,

Andando pelo bairro,

Vi um rapaz andando de muleta

Triste e solitário

Não quis lhe incomodar.

 

A vida é assim mesmo

Carregamos o nosso próprio peso

As dores e os amores

Tudo fica no coração.

 


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