Tem um grilo no guarda-roupa
Que lá, resolveu morar.
Toda noite eu o escuto cantar
Uma canção triste de
chorar.
É um canto triste,
Sei pelo jeito de
cricrilar.
É uma canção de amor,
Sinto no seu o cricrilar.
Já deixei o guarda - roupa
aberto
Para que ele possa ir.
Porém, ele continua lá;
Toda noite a cantarolar.
A noite passada
Ele passou toda noite
Provando as minhas roupas;
Que por certo
Nenhuma serviu nele.
Pobre grilo,
Agora ele resolveu falar.
Ele fala do seu jeito,
Só ele sabe o que diz
Como é infeliz.
Eu resolvi contar
As minhas aventuras,
Quem sabe ele não
compreendia
A minha história de amor.
Ele ficou paradinho,
Esperando eu terminar.
E com apenas um cric,
Ele disse: eu entendo.
Eu também tenho uma
história:
Um dia eu fui feliz,
Lutei muitas batalhas
Veja aonde eu fui parar.
Pobre grilo,
Parece que ele
entende de amor,
Parece que ele sofre por
alguém
Que muito amou.
É que ele fica parado,
Esperando eu falar.
O seu silêncio é triste
Diz que também está sofrendo.
Durante o dia ele some
Não sei pra onde ele vai.
Acho que ele se esconde,
Quem sabe até vira
homem.
A noite vem novamente,
Ele parece gente.
Até nisso ele se parece
comigo,
Ele sofre de insônia.
Veja que interessante:
Eu resolvi perguntar
Porque ele se trancou
No meu guarda-
roupa.
Desta vez ele nada falou,
Mostrou o que sentia.
Depois de um enorme
esforço,
Em minha frente ele pulou.
Foi aí que percebi
Porque ele não ia para
mata
Viver com os seus
amiguinhos,
Quem sabe até amar, ser
feliz.
O pobre grilo
Morava no meu guarda roupa
Não porque ele queria,
Ele perdera uma perninha
Em uma enorme batalha.
Para defender o seu amor
Ele lutou com um
predador feroz,
Na luta, ele perdeu uma
perninha;
Agora ele ficou
incapaz.
Voltar para mata
Ele seria uma pressa fácil
Disse ele com um simples
cricrilar:
Deixe-me ficar no seu
guarda-roupa,
Prometo não vou lhe
incomodar.
Meu amigo grilo,
Pode ficar o tempo
que precisar
O meu guarda-roupa tem
muito espaço
Fique lá até você se
recuperar.
Só peço-lhe um
favor:
Cante baixinho
De tristeza já basta o meu
sofrer,
Amanhã tenho que trabalhar.
Nesta terra ,
Quem tem contas a pagar
E quem tem casa pra morar,
Todos precisam trabalhar.
O tempo passou
E não vi mais o grilo
cantar,
Acho que ele desencantou,
Virou gente.
Um dia eu acordei cedinho
E resolvi olhar o guarda-roupa
O grilo tinha sumido,
Só vi uma pegada no chão.
Notei no meu quarto
Uma pegada de um pé
Saindo do meu quarto,
Era um pé de gente.
O grilo virou gente,
Ele saiu pelo mundo afora.
Foi procurar alguém
Que também possa amá-lo.
No dia seguinte,
Andando pelo bairro,
Vi um rapaz andando de
muleta
Triste e solitário
Não quis lhe incomodar.
A vida é assim mesmo
Carregamos o nosso próprio
peso
As dores e os amores
Tudo fica no coração.
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