Vamos tomar uma golada
Antes da pescaria
Porque de gole em gole
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| Porto de Pedreiras-Ma e a rua da golada. Onde tudo acontecia antes ou depois da pescaria. |
A tristeza se esvazia.
Quem ia para pescaria
De tanto repetir golada
Por golada ficou conhecida.
Rua da golada,
Como ficou conhecida.
Rua de bares e boemia
Que um dia virou poesia.
Pisa na fulô, pisa na fulô.
Não maltrate o meu amô
Zé cachangá era o tocador
João do Vale o compositor.
Ele só sabia a cantar:
Pisa, pisa na fulô.
Não maltrate o meu amô.
Depois de uma golada
Nenhuma música é ruim.
Inté Zé serafim
Começou a
elogiar.
Na rua da golada era assim
A boemia não tinha fim
Amanhecia o dia
E começava a cantoria.
Mulher a dá com pé
Mulher com mulher
Dançando arrasta pé.
A festa amanhecia o dia
Zé cachangá era o sanfoneiro
Ele fazia o forró no candeeiro.
Hoje não tem forró
Rua da golada ficou só
Abandonada, ela virou historia.
Daqueles tempos de gloria.
Saudades dos pescadores
Vindos do rio Mearim
Carregados de surubins
Para atender os compradores.
O rio Mearim secou,
Os peixes morreram
Rua da golada entristeceu
João do Vale morreu.
Quando tudo era transportado por barcos e lanchas, o porto de Pedreiras era o local mais movimentado da cidade. No outro lado da margem eu morava e acompanhava tudo com muita curiosidade. Eu era um garoto de no máximo seis anos de idade e tudo para mim era novidade.
Hoje o porto virou só uma figura esquecida por uma boa parte da população. O rio secou, os peixes morreram e a rua da golada deixou de ser a rua mais visitada por boêmios e prostitutas que viviam ali para ganhar um pouco de dinheiro dos pescadores. Porém, a sua história não saiu da memória da cidade de Pedreiras. É de lá que veio a inspiração da música Pisa, pisa na fulô, não maltrate o meu amô de João do Vale. A rua da golada só pela sua história já deveria ter sido tombada. Porém, aquele povo só dá valor ao que come. A história vai passando e ninguém percebe que ela faz parte de um povo. Compete a mim, poeta e escritor, resgatar um pouco desta história. Para mim não importa se na cidade em que eu vivi os meus primeiros dezessete anos tem políticos gananciosos e povo mal informado, para mim compete registrar o fato para posteridade. Rua da golada ainda sobrevive de alguns botecos e decadentes casebres de antigos moradores. Nenhuma melhoria foi feita e nenhum marco para registrar um fato da história, que pena!

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