Foi morto por engano
Menino de doze anos
Esta foi à constatação
Depois do Policia atirar
O Policial foi inocentado
A revolta foi geral
O maior país do mundo
Também matam inocentes.
Não brinque com arma
Bang-bang nem pensar!
Policia prende e mata
Antes de se explicar.
Quem é preto é suspeito
Não adianta reclamar
Tanto aqui, como lá.
Mata-se o sujeito.
Aqui a cadeia está cheia
De inocentes culturais.
Policia prende e justiça solta
Quem é rico e pode pagar.
Bons advogados,
Desembargadores,
Todos são convocados
Para um rico soltar.
O pobre paga o pato
De quem fez e não foi preso
Alguém tem que ocupar
Aquela cela que ficou vaga.
A história não muda
Porque você não muda
Lá, eles protestam.
E aqui, o que você faz?
Ninguém age com firmeza
Quando uma injustiça é feita
Reclamam de barriga cheia
Choram até na hora da ceia.
Nunca fomos à guerra
Matamos irmão sem compaixão
A nossa guerra é no trânsito
O inimigo mora no outro
quarteirão.
Rogo a Deus que nos ajude
A mudar o que está errado
Porque do mundo nada se leva
Nem os pecados da humanidade.
Rogo também aos poetas
Inocentes todos eles são
Fazem poesia e passeatas
Na sexta-feira da paixão.
Ao gosto da nação
Nós todos somos irmãos
Cantamos o hino nacional,
Curtimos praia e carnaval.
Quem nos conhece, sabe.
Na hora do bicho pegar,
Nem de sua casa você sai;
Que é pra não se comprometer.
Não agimos como irmãos,
Cada um no seu quadrado.
Não diga que estou errado,
Senão eu lhe solto a mão!
Irmão é só uma expressão
Dos malandros dos morros.
Cada um cuida de si,
Na hora “H” fazem boca de siri.
Aqui embaixo somos cobras,
Engolindo o próprio rabo.
Cachorro que ladra, não morde!
Vive bem quem esconde o rabo.
Meu camarada, preste atenção!
Justiça não é orgulho da nação
Viver em paz com os povos
Ainda é a nossa grande virtude.
Atitude não combina com choro
Quem grita mais, grita em coro!
União não adoça mágoa
Malandro é quem vivem a toa.
Aqui somos cobra
Engolindo o próprio rabo
Lá a luta é por civilidade
Aqui a luta é por identidade.
Não nos reconhecemos no espelho
Quando olharmos um estranho
A batalha é travada no dia-a-dia
Por comida, pão e moradia.
Aqui a gente faz poesia
Para disfarçar a desarmonia
Quem nos conhece sabe,
A guerra que você combate.
Pobre matando pobre no assalto
Políticos roubando no planalto
Sociedade pagando o preço
Dívida de quem vive no ar fresco.
O caos se instalou por aqui
Do planalto a Mandaqui
Tudo é desordem e baderna
O progresso desceu na banguela.
A água acabou,
A gasolina aumentou,
A luz apagou
E ninguém acordou.
Começou o fim do fim
O começo do fim é assim
Acordem-me do pesadelo
Deste fim tenho medo.
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