26 de fev. de 2019

A NOSSA VIRTUDE


Foi morto por engano
Menino de doze anos
Esta foi à constatação
Depois do Policia atirar

O Policial foi inocentado
A revolta foi geral
O maior país do mundo
Também  matam inocentes.

Não brinque com arma
Bang-bang nem pensar!
Policia prende e mata
Antes de se explicar.

Quem é preto é suspeito
Não adianta reclamar
Tanto aqui, como lá.
Mata-se o sujeito.

Aqui a cadeia está cheia
De inocentes culturais.
Policia prende e justiça solta
Quem é rico e pode pagar.

Bons advogados,
Desembargadores,
Todos são convocados
Para um  rico soltar.

O pobre paga o pato
De quem fez e não foi preso
Alguém tem que ocupar
Aquela cela que ficou vaga.

A história não muda
Porque você não muda
Lá, eles protestam.
E aqui, o que você faz?

Ninguém age com firmeza
Quando uma injustiça é feita
Reclamam de barriga cheia
Choram até na hora da ceia.

Nunca fomos à guerra
Matamos irmão sem compaixão
A nossa guerra é no trânsito
O inimigo mora no outro quarteirão.

Rogo a Deus que nos ajude
A mudar o que está errado
Porque do mundo nada se leva
Nem os pecados da humanidade.

Rogo também aos poetas
Inocentes todos eles são
Fazem poesia e passeatas
Na sexta-feira da paixão.

Ao gosto da nação
Nós todos somos irmãos
Cantamos o hino nacional,
Curtimos praia e carnaval.

Quem nos conhece, sabe.
Na hora do bicho pegar,
Nem de sua casa você sai;
Que é pra não se comprometer.

Não agimos como irmãos,
Cada um no seu quadrado.
Não diga que estou errado,
Senão  eu lhe solto a mão!

Irmão é só uma expressão
Dos malandros dos morros.
Cada um cuida de si,
Na hora “H” fazem boca de siri.

Aqui embaixo somos cobras,
Engolindo o próprio rabo.
Cachorro que ladra, não morde!
Vive bem quem esconde o rabo.

Meu camarada, preste atenção!
Justiça não é orgulho da nação
Viver em paz com os povos
Ainda é a nossa grande virtude.

Atitude não combina com choro
Quem grita mais, grita em coro!
União não adoça mágoa
Malandro é quem vivem a toa.

Aqui somos cobra
Engolindo o próprio rabo
Lá a luta é por civilidade
Aqui a luta é por identidade.

Não nos reconhecemos no espelho
Quando  olharmos um estranho
A batalha é travada no dia-a-dia
Por comida, pão e moradia.

Aqui a gente faz poesia
Para disfarçar a desarmonia
Quem nos conhece sabe,
A guerra que você combate.

Pobre matando pobre no assalto
Políticos roubando no planalto
Sociedade pagando  o preço
Dívida de quem vive no ar fresco.

O caos se instalou por aqui
Do planalto a Mandaqui
Tudo é desordem e baderna
O progresso desceu na banguela.

A água acabou,
A gasolina aumentou,
A luz apagou
E ninguém acordou.

Começou o fim do fim
O começo do fim é assim
Acordem-me do pesadelo
Deste fim tenho medo.

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