9 de jan. de 2019

Depois do Caos

Primeiro romance do autor online



Paulo era um executivo do setor de informática que viajava de Manaus para São Paulo, ele fazia esse caminho de jatinho todos os meses. De repente o piloto lhe avisou que eles iam passar por uma turbulência, Paulo já estava acostumado com esse procedimento. No entanto, o jatinho entrou em uma nuvem negra e o piloto começou a navegar só por instrumentos.
―Paulo, estamos passando por uma zona de turbulência, aperte o cinto, logo passará— disse o piloto.
―Ok, eu já estou vacinado — risos dos dois.
Essas foram as últimas conversas entre os dois tripulantes, o que aconteceu posteriormente foi um apagão completo da aeronave e um mergulho em uma nuvem de poeira. Quando tudo parou de virar e revirar, Paulo sentiu uma tontura e simplesmente ele apagou completamente.
Quando acordou ele não sabia o que acontecera e nem onde estava. Então para se localizar, na escuridão da noite, ele gritou:
― Tem alguém aí? ―silêncio. —Oi,tem alguém aí?
Paulo conseguiu sair pela porta de emergência e nem sabe como fez isso. Tudo era estranho e obscuro, nada ali parecia um acidente aéreo. Ele perdeu a memória curta e só lembrava que viajava de Manaus para São Paulo. O resto de sua lembrança nada lhe conduzia àquela situação.
Depois de um breve silencio, Paulo ouve uma voz distante, era um choro de criança, um choro engasgado, de alguém que estava expelindo alguma coisa pela boca, era um choro estridente! Tudo estava escuro e não era possível observar nada. Uma nuvem de poeira cobria o firmamento, Paulo olhou para cima e viu que o firmamento era uma nuvem negra, alguns relâmpagos davam a verdadeira noção de espaço e era possível perceber que aquilo não era normal.
Paulo não sabia o que aconteceu com a terra, pois ele viajava de jatinho e tudo aconteceu na terra enquanto ele viajava. Foi tudo muito rápido, a terra de repente virou um gigantesco lidiquificador, com redemoinhos levando árvores, casas, prédios e pontes. Parecia que houve um gigantesco terremoto e tudo virou escombros. No momento ele não conseguia definir exatamente o que aconteceu.
Depois que pararam os tremores só ficou um silêncio e aquela escuridão de meter o dedo no olho por não enxergar nada.  Nesse momento a criança parou de chorar e só tossia.
—Quem está aí? Pode me responder? ― Continuou o silêncio e a criança a esgoelar.
—Ei, estou aqui perto de você, lado esquerdo. ―depois de um breve silêncio, Paulo sentiu uma mão lhe tatear. Ele se assustou com a aproximação da criança.
—Quem é você?
―Tati.
—Tati?
―É.
—Sou Paulo, fique calma.
―Eu quero a minha mãe.
—Fique calma que a gente vai encontrar a sua mãe. ―A criança voltou a tossir.
Paulo viajava de avião e de repente tudo foi para o chão. Ele ficou por horas tentando imaginar o que tivera acontecido e no momento não conseguia matinar o desfecho deste caos. Não era possível enxergar um palmo à frente. Ele olhou para cima e viu que o firmamento estava escuro e a única luz que ele via era alguns raios que por vezes riscavam o céu.
—Quem é sua mãe, Tati?
―Susana.
—De onde você vem?
― Pensou Paulo que Tati também estivesse em algum voo que o seu jato tivesse chocado com outro avião.
—Eu tava vindo da minha escola com a minha mãe ―Tati voltou a chorar.
Agora complicou a cabeça de Paulo, ele pensou que a criança estivesse em algum avião. O piloto que pilotava o seu jato era experiente e certamente teria colocado em piloto automático quando perdeu os instrumentos.
 Agora a situação precisava de melhor conjectura. Paulo viajava em um voo que saiu de Manaus com destino a São Paulo. Pelas suas contas, o voo era para durar menos de cinco horas. No meio do caminho houve alguma coisa que ele ainda não conseguia matinar. Ele não se lembrava de nada que pudesse lhe ajudar com o que acabara de acontecer.
—Calma aí garotinha, a gente vai encontrar a sua mãe, ok? Tá certo?
―Tá. —Tati se recostou ao corpo de Paulo com tremores. Depois acariciando os ombros de Tati, disse:
 ―A gente vai encontrar todo mundo.
Era uma lógica irrefutável, uma hora ele ia encontrar as pessoas que por ventura sobreviveu ao terremoto e por consequência, encontrar também a mãe de Tati.
No momento, a única coisa que ele podia fazer naquele momento era esperar ou gritar por socorro. Foi o que ele fez:
—Socorro, tem alguém me ouvindo? ―Berrou mais umas duas vezes e nada.
Sorte de Paulo que ele estava viajando e não em solo, pois muitos não tiveram a mesma sorte. Precisava rezar muito para encontrar a mãe de Tati, senão ele não conseguiria ficar muito tempo ouvindo o choro dela.
Ele nem sabe ao certo quanto tempo passou desacordado. Quando acontece um acidente a gente fica muitas horas desacordadas e quando acorda não faz ideia de quanto tempo ficamos desacordados. Então para deixar a criança mais calma, disse:
—Olha, vamos ficar quietinhos aqui, senão pode vir um bicho e achar a gente, tá?― disse Paulo para Tati parar de chorar.
―Tá, mas eu quero a minha mãe.
—Eu sei, eu sei. Olha Tati, amanhã quando amanhecer o dia a gente procura, tá?
―Tá— disse ainda chorando muito.
O dia não amanheceu e a criança agora pedia para comer. Era uma situação difícil. Então ele colocou a mão no bolso do paletó e percebeu que ainda estava com o celular. Abriu o display, procurou alguns contatos e nada de sinal, então ele soltou um palavrão:
―Mas que droga, não tem nenhum sinal aqui. Que merda é essa?
Paulo ainda não sabia direito o que tinha acontecido, achava que o avião que ele vinha tivesse caído em algum lugar e por sorte ele era um sobrevivente. No entanto, estranhou não ter nenhuma claridade. Ele abriu o display do celular, conferiu a bateria e iluminando ao seu redor, viu Tati que colocando a mão para se proteger da luz do celular ,disse:
—Liga pra minha mãe , pra ela vim me buscar.
—Não dar, não tem sinal.
―Ah!
Enquanto a luz batia no rosto de Tati, Paulo observou que se tratava de uma garotinha de 10 anos de idade, branquinha com pintas pelo nariz. Paulo desligou o celular para economizar bateria. Em uma situação como esta a melhor coisa a fazer é economizar recursos naturais, principalmente luz. Agora sabendo um pouco mais da garotinha, pelo menos de quem se tratava, ele começou puxar assunto.
—Que ano você está na escola?
―Quarta.
—Nossa tá adiantada, heim?
―É.
—Você mora aonde?
―Aqui perto.
—Mas onde?
―Santa Catarina
—No estado de Santa Catarina?
―Não seu bobo, no bairro Santa Catarina, perto do aeroporto.
—Ah, entendi. Agora ficou mais fácil pra gente saber onde a gente estar.
―Como assim?
—Olha, se você mora perto do aeroporto, então o meu avião caiu no seu bairro.
―Piorou, agora que não entendi foi nada.
Paulo começou unir as pontas do quebra cabeça. Ele viajava de Manaus para São Paulo, o que determinava a lógica que o seu avião caiu perto do aeroporto. Afinal, a garotinha morava ali perto e por associação eles se encontraram ali porque o seu voo completou o destino. Era uma lógica que ele tentava colocar em prática para determinar o que realmente aconteceu. Agora com o celular na mão, ele pelo menos tinha luz. Abriu o celular novamente para ver a hora, mas não tinha nada no lugar da hora. Ele tentou bater com a mão no display para ver se não era defeito no mostrador e nada.Novamente ele disse outro palavrão:
—Droga!―A garotinha perguntou:
—Que horas são?
―O relógio parou.
—Tô com fome ― disse Tati já com cara de choro.
—Olha, vamos ali, acho que o avião está aqui perto. Dentro dele tem bastante lanche.
Paulo pegou o celular e percorreu a luz em volta dele e não conseguiu ver muita coisa não, somente uma ponta de calda de avião, pela claridade dos relâmpagos deu para ver o rabo da calda do jatinho.
―Oba, o meu avião !—Exclamou Paulo.― Eu sabia que ele estava aqui perto, vamos.
Paulo pegou a mão de Tati e seguiu rumo ao avião. Tinha uma camada de poeira que afogavam eles até a cintura. Ao andar em direção do avião, ele percebeu que não se tratava de um simples acidente aéreo não. Não tinha vestígios de destroços e nem casa, construção ou outra característica que determinasse que foi um acidente aéreo. O avião estava submerso em uma nuvem de terra, era isso que parecia. À medida que os dois caminhavam, hora ele descia e hora ele subia algum declive.  
Paulo percebeu também que o avião não estava em um lugar seguro não, a qualquer momento ele ia despencar de onde estava. O terreno era muito instável, parecia uma lama de pó de terra, muito fina e homogênea. Paulo ao chegar perto da calda disse:
— Fique aqui me esperando, eu vou sozinho daqui, ok?
―Não me deixa aqui sozinha, por favor, tenho medo!
— Calma Tati, é muito perigoso a gente ir juntos. O terreno tá muito instável, tudo pode desabar e a gente ir junto com o avião desfiladeiro abaixo, por isso é melhor você ficar aqui.
Tati assentiu com a cabeça, mas muito temerosa pelo que poderia acontecer. Paulo seguiu até o avião e percebeu que metade do avião estava submerso em uma poeira fina e que a qualquer momento tudo poderia desabar. Com muito cuidado ele conseguiu se abastecer de alguns pertences e comida. Quando já voltava sentiu o avião balançar com um novo abalo. Para não ser pego desprevenido ele se apressou e saiu do avião.
Conseguiu pegar duas mantas e uma sacola de mantimentos.
Pão, queijo, presunto, suco, água e uma garrafa com chocolate quente que ficava sempre cheia na cozinha. Ele não tomava café, a vida de executivo era muito estressante e evitar a cafeína era uma maneira de se manter calmo. Quando chegou até onde Tati estava o avião sucumbiu desfiladeiro abaixo, sumiu terra adentro como se fosse uma minhoca grande.
― Foi por pouco, ufa!— disse Paulo para si mesmo.
― Aqui tem tudo que a gente precisa, Tati. Vamos procurar um abrigo.
— Achou a minha mãe não?
― Não, tá muito escuro. Vamos esperar amanhecer o dia. No momento o que é possível fazer é esperar clarear tudo pra vê se tem algum vivo.
Paulo e Tati seguiram para uma sombra que viram com o clarão dos relâmpago, parecia uma caverna o quem sabe os escombros de uma marquise. Ao chegarem ao local perceberam que se tratava de um túnel, ou melhor, escombros de um túnel. Não era um túnel que os levavam para outra extremidade não, apenas o que sobrou de um túnel. Mesmo assim era um local ideal para os dois permanecerem ali. Comeram e descansaram em um sono profundo.
Logo que pegaram no sono começou chover e os dois ficaram agasalhados e com o cansaço dormiram por dias. Quando acordaram a nuvem de poeira já tinha se dissipado e um raio de sol surgiu para acordá-los.
— Bom dia princesa!― disse Paulo
—Humm, onde estou?
―Não se lembra de mim, sou Paulo.
—Paulo?
― Sim, Tati.
— Cadê a minha mãe? O que estou fazendo aqui?
― Calma menina, uma pergunta por vez.
O local onde Paulo e Tati passaram as noites, que não foram poucas, era um pedaço de túnel que por ventura sobrou do terremoto. Por sorte algumas pessoas além de Paulo e Tati tiveram a mesma ideia. Quando Paulo acordou percebeu que havia mais gente no fundo do túnel.
— Olha Tati, tem mais gente aqui. Vamos procurar sua mãe, pode ser que ela esteja no meio deste povo.
― Vamos.
Dito isto ela se levantou e começou perguntar a um e a outro sobre a sua mãe.  Tinha bastante gente abrigada no túnel.
— Mãe, mãe!
― Quem é a sua mãe, filha— perguntou um senhor de meia idade.
― Susana— começou descrever as caracteírticas de sua mãe.
― Acho que eu vi essa mulher.
— Onde o Senhor viu, por favor!
― Procure no fundo do túnel, pode ser que ela tenha ido mais pro fundo.
O túnel era semelhante ao túnel Airton Sena, com a destruição não era possível saber.
— Mãe!― Gritou Tati ao avistar uma mulher que ainda estava dormindo e debruça não era possível saber se era realmente sua mãe. A mulher acordou de supetão e olhou para Tati e foi aquela emoção. Finalmente mãe e filhas estavam juntas.
— Filha!
― Mãe!
Abraçaram-se longamente e choraram de emoção. Finalmente um final feliz para as duas, nem sempre uma catástrofe acaba bem.
— Vem mãe, deixa eu lhe apresentar Paulo, ele que me ajudou.
Nem precisou andar muito, Paulo estava próximo acompanhando toda emoção das duas.
― Prazer em conhecê-lo Paulo, obrigada por ajudar a minha filha.
— O prazer é meu, não fiz mais que a minha obrigação.
― Você sabe o que aconteceu com o mundo? — perguntou Suzana, atônita.
― Até agora ainda não descobri o que aconteceu. Não pega celular, não tem horas no display, enfim parece que o mundo deu ti ute.
— Você tem celular, conseguiu salvar o seu? Porque o meu simplesmente sumiu.
― Tenho, mas de nada vale, não tem sinal. Olhe — disse mostrando o display do celular.
― Nossa, que horror!
Olha, não podemos ficar aqui, temos que sair daqui e procurar alguma coisa que nos explique o que aconteceu. Depois precisamos achar comida, a pouca comida que pegue do meu avião praticamente acabou.
— Você tem um avião?
― Tinha, quando sai do avião ele desapareceu no meio da poeira. Acho que a chuva o levou.
— Eu dormi não sei quantos dias, não vi nada.
― Tá tudo muito bom, mas precisamos sair daqui e fazer uma varredura por ai pra ver se encontramos alguma coisa que possa esclarecer melhor o que aconteceu.
Paulo sabia que em situação assim o melhor era sair e procurar recursos, caso contrário os sobrevivente iriam travar uma guerra por alimento e abrigo. Paulo deu de ombros e disse:
— Vamos pegar as nossas coisas, Tati. As cobertas, a sacola com os mantimentos e a água, ok?
― Vamos— assentiu Tati com a cabeça.
Agora eram três amigos que se conheceram em uma catástrofe e que de agora em diante iam caminhar juntos. Pegaram os objetos pessoais e saíram túnel afora. A imagem era de total destruição, uma catástrofe! Não existia mais prédios, casas e nem campos verdes, o que se via era uma visão de terra arrasada.
— Nossa que apocalipse!— disse Paulo.
— Como?— perguntou Suzana, meio atônita.
― Acho que estamos diante de um apocalipse, um recomeçar do mundo.
Suzana com a mão na boca e não acreditava no que via. A chuva levou a poeira e tudo ficou parecendo uma terra lavada. Sem casa, sem árvores e sem nada que se assemelhasse a uma antiga civilização. O que naturalmente aconteceu não foi a primeira vez e não será a última. Aconteceu o que as profecias já previam algum tempo atrás. É o que os religiosos profetizam, o que de tempos em tempos Deus faz para reorganizar os seus planos.
O homem não surgiu na terra ao acaso, muito menos dá para imaginar que a terra é definitivamente igual para sempre. A natureza tem propósitos que nem imaginamos. Quando vem uma tempestade, a terra pede a tempestade, pois com ela vem a renovação. A chuva cai porque a terra pede água, ela precisa ser resfriada, precisa florescer e florir novas plantas.
Paulo aos poucos vai fechando o seu raciocínio nessas bases. Paulo pegou o celular e vendo que não tinha nenhuma utilidade, levantou-o à altura da cabeça e jogou contra uma rocha.
— Por que você fez isso?
— Do que adianta um celular sem sinal.
— E a luz?— disse Suzana, como se repreendesse ele por deixar ir embora uma fonte de energia. Ele respondeu:
— Mas por quanto tempo — desse Paulo desolado.
— Você acha que essa situação é definitiva?
— Acho.
—Do quê vocês estão falando, mãe? —Perguntou Tati.
— Nada filha, por enquanto é só uma suspeita da gente.
— Suspeita? Como assim mãe?
— Calma filha, tempo que nos preparar para o pior.
Os três amigos começaram explorar ao redor, nada tinha para determinar um ponto de referência. Eles queriam encontrar algo que os fizesse acreditar que era a terra onde eles moravam ou outro lugar em outra dimensão. Muitos escombros de construções e pontes. Pedras gigantes e areal por toda parte. Outras pessoas se juntaram ao grupo para descobrirem o que aconteceu. Um senhor de meia idade se aproximou de Paulo e disse:
— Bom dia, se é que podemos dizer um bom dia.
— Pois é,isso que estou tentando descobrir— disse Paulo, esticando a mão e dizendo:— Eu sou Paulo, prazer.
— Eu sou Jonas, disse o Senhor— depois completou:— O que aconteceu afinal?
— Olha, até agora eu não sei o que aconteceu. Eu vinha de Manaus com meu avião e de repente mergulhamos em uma nuvem de poeira. Acordei muito tempo depois e nem sei exatamente o que aconteceu.
— E o avião?— quis saber Jonas.
— Quando acordei ainda pude tirar algumas coisas dele, mas acho que a chuva o levou desfiladeiro abaixo.
Onde eles estavam era plano, mas logo em seguida tinha um barranco de mais de vinte metros de profundidade. Parece que onde o avião estava abriu-se uma cratera, um grande Canon. Nada ali parecia que antes existia uma cidade como São Paulo. A terra virou de ponta cabeça, tudo foi sugado por um redemoinho gigante e foi parar não sei onde.
Sabe-se que a terra é formada por placas tectônica, sempre que existe um terremoto, acontece devido a mobilidade destas placas. Deus criou a terra com essa configuração com o propósito de mudar as placas sempre que ele achar melhor reciclar a vida. Basta fazer as placas se abrirem e tudo será sugado para o eixo da terra.
Veja a engenhosidade dele,como tudo é feito e como tudo se transforma. Ele quando criou a terra, já preparou uma saída estratégica para caso necessitasse, ele só precisava pisar no pedal da lixeira e colocar todo lixo dentro.
 O eixo da terra além de ter uma gravidade superior à superfície, que naturalmente facilitaria um processo de reciclagem, tem uma temperatura de queima qualquer detrito existente.”Do pó ao pó” simplesmente assim. Veja também como ele é inteligente, depois do serviço feito, nada ficaria para alguém descobrir o que aconteceu. A chuva foi a pá de cal no processo, pois com a chuva lacraria qualquer fresta que houvesse.
Os sobreviventes ainda tem esperança de encontrar suas casas e suas famílias. Ninguém imagina que eles foram escolhidos para povoar o mundo, como já aconteceu com Adão e Eva, e quem sabe quantas vezes esse processo de ida e vinda já não tenha acontecido.
Paulo e Jonatas juntaram um grupo de homens para fazer um varredura. Então ele chamou atenção do grupo e disse:
— Atenção pessoal, preciso da atenção de todos vocês. Não sabemos o que aconteceu, precisamos organizar um comando tarefa para fazer um varredura. Precisamos nos organizar logo, senão daqui a pouco vamos travar uma luta entre a gente mesmo. Acho que Deus nos escolheu para esse com o objetivo de a gente fazer tudo diferente que já fizemos. Creio que estamos passando por um processe de apocalipse now e a terra como a gente conheceu acabou.— Todos resmogaram e não queriam acreditar naquela constatação. No meio do grupo um perguntou:
— Como você chegou a essa conclusão?—iniciou um começo de tumulto.
— Calma gente, calma, eu explico. Eu me chamo Paulo, sou empresário no ramo de informática e vinha de Manaus para São Paulo de Jatinho— Correu as vista e completou:— De repente entramos em uma turbulência e tudo ficou escuro. Quando acordei estava fora do avião e vi que acima de mim só tinha poeira.
Alguns ouvintes ficaram atônitos sem entender a sua história, mas sabiam que no fundo algo de ruim aconteceu. Paulo contava a sua versão para concluir que tudo aconteceu enquanto ele viajava. Mas ele não sabia explicar o que aconteceu com os demais, cada um tinha uma história pra contar. Um rapaz no meio daquelas 40 ou cinquenta pessoas disse:
―É. Agora eu me lembro, eu estava dirigindo o meu carro na 23 de maio quando essa nuvem negra fechou a minha visão. Devo ter batido o carro, sei lá.
― Calma gente! Sei que cada um tem uma história pra contar, por enquanto o mais importante é a gente se organizar para achar comida e abrigo.  Vejo que o túnel ainda é o nosso ponto de referência— Continuou Paulo: ― As mulheres e as crianças ficam no túnel e uma equipe de busca sai para explorar as redondezas, ok? — Todos concordaram.
— Vamos nos  identificar, eu sou Paulo e já´falei o que eu fazia, agora cada um, ok?
Jonas disse:
— Eu sou médico.
— Eu sou engenheiro― Outro mais disse;
―Sou veterinário.
― Ok! Pelo jeito temos uma equipe qualificada, sugiro que o Jonas fica examinando os feridos e cuidado dos pacientes, enquanto eu e demais vamos  percorrer as redondezas, ok?― Todos concordaram.
Paulo como empresário começou liderar aqueles refugiados, liderança ele tinha muito, afinal, ser empresário e dirigir várias empresas requeria capacidade fora do comum. A equipe de buscas saíu em busca de alimento e alguma coisa que ajudasse o grupo com os alimentos. A chuva do dia anterior levou lama, destroços de construção e alguns alimentos ficaram na superfície boiando: Eram caixas de papelão, bolachas, biscoitos, macarrão e outros tipos de alimentos. Eles precisavam de quaisquer recursos disponíveis para socorrer o grupo de pessoas que ficaram no túnel.
― Olha o que achei! Um celular. ― Paulo olha e deu um sorriso maroto e disse:
― Por que você não tenta ligar para a sua casa.
Ele sabia que não tinha sinal, mas o seu humor era coisa que não tinha fim. Depois ele completou:
― Deve ser o meu que joguei fora.










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