27 de ago. de 2016

Água podre

Eu tinha um professor universitário que dizia que o povo tinha votado em Jânio Quadros pelas caretas que Jânio fazia na televisão. Segundo a  teoria deste professor, o povo se identificava com Jânio pelas caretas. Pois o povo se via nele no espelho  tirando a barba .  Esta teoria tem lá suas razões e lógicas.  Quando começa uma eleição logo o eleitor procura nos traços dos candidatos algo que tenha proximidade com a sua intimidade. O ideal seria alguém bem próximo mesmo, por isso alguns candidatos se pintam de bonzinhos e outros vestem a carapuça do frade.
Este filme já assistimos por diversas vezes. Quase sempre repetitivo e eles, os candidatos, sempre vem com uma nova roupagem. Alguns tiram a barba, outros fazem cara de triste e arrependidos, e outros fazem curso no exterior, enfim tudo para agradar o eleitorado. No entanto, o que o eleitor quer é um parente seu no cargo de prefeito, vereador, enfim. Como isso é impossível, melhor seria eleger alguém mais próximo possível de suas  características pessoais.Chegamos às eleições de 2016 e a técnica de enganar o eleitorado não muda. Um vem com a cara de moderno, o outro vem com a cara de super-herói e defensor do consumidor, a outra vem com a cara de humildade, fazendo-se de coitada. Assim a gente atravessa a década e não avançamos nas conquistas sociais e nem nos tornamos um cidadão consciente de seu dever, porque quase sempre somos desviados propositalmente para atender ambição de alguns. Ligamos a televisão e vemos na campanha eleitoral candidato enganando o povo e a justiça eleitoral não faz nada. Prometem uma coisa na campanha e quando eleito fazem outra coisa completamente diferente da que foi prometida. Por acaso o Fernando Haddad prometeu que ia fazer ciclovia na cidade inteira, por acaso ele falou que ia reduzir a velocidade para arrecadar mais? Lógico que não, senão ninguém votaria nele. Porém, a fiscalização seria da justiça eleitoral. Teria que haver um comprometimento assinado do candidato com as propostas. No entanto, somente quando um canalha sai da prefeitura é que aparece as suas falcatruas. Isso deixa o povo mais cético em relação a tudo.Não vai longe e a melhor coisa a fazer é sair de São Paulo. Os políticos já expulsaram as empresas, já expulsaram os grandes investidores e agora só falta expulsar os moradores de suas casas. Fazem propaganda de carro  potente e com muitos recursos de segurança e você não pode comprar um. Para que você quer um carro se não pode nem andar nele? Um prefeito cria a inspeção veicular para tirar dinheiro dos motoristas, o outro reduz a velocidade para arrecadar mais e deste jeito o cidadão fica sem saber o que fazer. Desiludido ele vende o seu imóvel e vai para outra cidade. Não resta mais nada fazer. É uma pena chegar a esta conclusão. São Paulo é uma cidade boa de  viver, pena que temos uns prefeitos  sacanas. Quando não tem mais de onde tirar dinheiro eles tiram do bolso dos motoristas, do cidadão que mora longe e precisa chegar ao seu trabalho com mais conforto. Porém, esse mesmo prefeito sacana, vem na televisão dizer que está fazendo uma cidade mais humana e melhor de se viver.Quando a mentira ultrapassa a barreira do cinismo só nos resta pedir justiça, julgamento, enfim uma eleição não basta para banir todos canalhas da nossa política.Isto porque é sempre a mesma cantilena: vem eleição e sai eleição e o eleitor é enganado por gente que só quer se dá bem e melhorar as condições daqueles que lhe seguem. Não bastou o engodo do Kassab, do Haddad, agora corremos o risco de cair na armadilha da universal.
Vem um carinha armando situações de defesa do consumidor e se diz defensor do povo. Não defende nada, tudo é armado com o propósito de mostrar ao eleitor que ele o defende. Quem o conhece sabe que ele é mascarado e não engana ninguém. Porém, engana os menos informados, o coitado que foi abandonado pelo estado e pela justiça. Esse, coitado, apega-se a qualquer coisa que lhe dê esperança de justiça.Por fim temos mais uma eleição de candidatos que mais parecem marionetes de um circo de horror. Tudo isso parece uma praga jogado por Jânio Quadros. Segundo essa praga, o povo paulistano teria cem anos de solidão política. Pior que a solidão é conviver com esses falsos defensores do povo. Tudo parece armado com o propósito de fraudar o cidadão.Depois da inspeção veicular, depois da taxa do lixo, depois da redução da velocidade, depois das ciclovias o que será que irão inventar o próximo prefeito? Não quero nem imaginar o que virá. Também não vou dá sugestão como fiz anteriormente. Já me arrependi quando fiz isto na última eleição. Dei várias sugestões para melhorar a cidade e usaram para ganhar eleição e fizeram tudo ao contrário. A água que corre nos corredores da política é podre.

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