26 de nov. de 2015

ALUCINADOS



Conheci um maluco
Que escrevia poesia.
Como dinheiro ele não tinha,
Escrevia a sua poesia em postes,
Nas placas dos candidatos que ele elegeria.


Outro maluco, esse por poesia,
Fotografou o que ele fazia.
Aquilo era notícia,
nos jornais da periferia.

Dinheiro ele não tinha
Para publicar os seus versos.
Também o que adiantaria
Publicar um livro?
Livros já existem muitos
e ninguém ler.

Melhor seria,
Reunir todos os malucos
Para mostrar a sua poesia
E assim surgiu o sarau da periferia.

Hoje é historia,
Mas antes era alucinação.
Sarau em toda cidade,
Poesia para todas as idades.

Antes era um maluco,
Hoje é Binho.
Antes era um fotografo,
Hoje é Marcos Pezão.

Antes era alucinação,
Hoje proliferação,
Saraus em toda cidade.

Toda ideia vem de uma alucinação.
Toda sociedade vive alucinada.
Não pensa em nada, como bandos,
Apenas seguem alucinados.

Venha para esse bando,
Curtir a poesia.
Aqui tem muitos malucos
Que não jogam pedras em ninguém.
Jogam versos, poesia e livros,
Mesmo que ninguém leia.

Eles estão por ai...
Quem sabe um dia
Um maluco coloque fogo na cidade,
Aí só vão sobrar os versos
Que esses malucos escreveram.


Nenhum comentário: