22 de set. de 2015

O grilo encantado


Tem um grilo no meu guarda-roupa
Que lá, resolveu morar.
Toda noite eu escuto ele cantar
Uma canção triste de chorar.

É um canto triste,
Sei pelo jeito de cricrilar.
Dessas canções de amor,
Sinto no seu cricrilar.

Já deixei o guarda - roupa aberto
Para que ele possa ir.
Porém, ele continua lá;
Toda noite a cantarolar.

 A noite passada
Ele passou a noite toda
Provando as minhas roupas;
Que por certo,
Nenhuma serviu nele.

Pobre grilo,
Agora ele resolveu falar.
Ele fala do jeito dele,
Só ele sabe o que diz;
Como é infeliz.

 Eu resolvi  contar
As minhas aventuras
Quem sabe ele não compreendia
A minha história de amor.
Ele ficou paradinho,
Esperando eu terminar.
E com apenas um cric,
Ele disse: eu entendo.

 Eu também tenho uma história,
Um dia eu fui feliz,
Lutei muitas batalhas
Veja aonde eu fui parar.

 Pobre grilo,
Parece que ele entende  de amor,
Parece que ele sofre por alguém
Que muito amou.

 É que ele fica parado,
 Esperando eu falar.
O seu silêncio é triste
Diz que também está sofrendo.

Durante o dia ele some
Não sei pra onde ele vai.
Acho que ele se esconde,
Quem sabe até vira homem. 

A noite  vem novamente,
Ele parece gente.
Até nisso ele se parece comigo,
Ele sofre de insônia.

 Veja que interessante:
Eu resolvi perguntar
Porque ele se trancou
No meu guarda- roupa. 

Desta vez ele nada falou,
Mostrou o que sentia.
Depois de um enorme esforço,
Em minha frente ele pulou.

 Foi aí que  percebi
Porque ele não ia para mata,
Viver com os seus amiguinhos,
Quem sabe  até amar, ser feliz.

O pobre grilo
Morava no meu guarda roupa
Não porque queria,
Ele estava sem uma perninha.

Para defender o seu amor
Ele  lutou com um  predador feroz
Na luta  ele perdeu uma perninha
Agora ele ficou incapaz. 

Voltar para mata, seria pressa fácil
Para os perigos de lá.
Deixe-me ficar no seu guarda-roupa
Pediu o grilo, com um simples cricrilar.
Meu amigo grilo,
Pode ficar o tempo  que precisar
O meu guarda roupa tem muito espaço
Fique lá  até você se recuperar.

Só peço-lhe  um favor:
Cante baixinho
Para não  me incomodar.
Amanhã acordo cedinho
Preciso trabalhar.

Nesta terra ,
Quem tem contas a pagar
E quem tem casa pra morar;
Todos precisam trabalhar.
O tempo passou
E não vi  mais o grilo cantar,
Acho que ele desencantou,
Virou gente.

 Um dia  eu acordei e vi
As pegadas de um pé
Saindo do meu quarto,
Era um pé de gente.







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