30 de set. de 2014

Amendoim


Minas gerais não têm praia
Porque se tivesse
Mineiro não viajava
Para conhecer o mar.

Ficava em minas gerais
Economizando um pouco mais
Viajava só no fim do ano
Nas festas de natal. 

Quando mineiro vai à praia
Leva tudo e um pouco mais
Leva torresmo, farofa, caninha
 E um pouco de uai.

Foi assim que um  amigo
Que depois de crescido
Resolveu  conhecer o mar
E aprender a nadar.

 Com muita desconfiança, disse:
Uai, vou conhecer o mar.
Vou chamar o amigo Portel
Ele vai me ajudar. 

Não me fiz de rogado
Para um amigo tudo se faz
Foi com esse pensamento
Que começou o meu azar.

 O mar estava convidativo
As ondas fazendo chuar,
O  mineiro  não parava
De falar: ita mar! 

Falei para o mineiro
Você agora vai conhecer
Uma bela caipirinha
Dessas que não existem lá.

Ele desconfiado, disse:
 Uai, veja lá amigo Portel
Sou casado e tenho família
Não quero saber de enguiço. 

Relaxa ai  mineiro
Essa caipirinha nada faz
É só pinga e açúcar
Depois que mal há?

 O mineiro ao ver o mar
Queria logo se afogar
Cueca samba canção
Do lado um amarelão. 

Eu falei para ele trocar o cuecão
Aqui pertinho tem calção
Não me faz essa vergonha
Com essa cueca samba canção.

Mineiro é mão de vaga
Economiza até na diversão
Comprou um  calção sem forração
Que não escondia o três oitão. 

Eu falei para o mineiro
Vai para o mar e de lá não sai
Você está com um varal lotado
De lingüiça defumada, rapaz! 

O calção  quase transparente
Viam-se tudo que era indecente
O amigo que era  negão,
Veja se isso é combinação.

 Depois de duas caipirinhas
O mineiro fez amizade
Com o homem da barraquinha
Que caprichou na caipirinha.

Achando fraco a caipirinha
Ele disse: capricha na pinga
Foi ai que ele se enganou
Com a tal caipirinha.

Meia hora se foi não sei
O mineiro estava bêbado
Então falei para o mineiro
Vá para o mar e não sai.

O mar é o melhor remédio
Cura  qualquer cachaçada.
O mineiro  parecia um peru
Uma hora quase ficou nu.

Nem café forte resolveu
Ainda fez foi vomitar
No carro,  na calçada
Aonde ele ia parecia,
 Que tinha engolido o mar.

Depois de vomitar no carro
Fazer xixi no banco da praça
Para completar a desgraça
Comeu amendoim de graça.

Para encurtar a história
Eu disse para um  ambulante
Que  vendia amendoim ali:
Essa hora da noite

Você não vai vender amendoim.
Vem aqui  conversar
Tenho uma história pra contar
Amanhã você visita a freguesia.
Hoje, esquece esse amendoim.

 A conversa se esticou
Com histórias de pescador
A roda foi aumentando
E as casca de amendoim
Pelo chão se espalhando.

  Não sei quem pagou a conta
Porque eu saí de fininho
Quando comecei subir a serra
A coisa começou a revirar em mim.

Falei para o mineiro
Que se mantinha dormindo
A coisa aqui está ruim
Acho que foi o amendoim

 No planalto paulista
No primeiro posto da pista
Embiquei o carro
Cego nem vi que o posto
Estava fechado pra reforma.

 Falei para o guarda do posto
Tem que ser aqui
Estou passando mal
Já segurando as calças.

 A minha desgraça
Era fazer nas calças
Comi amendoim de graça
Agora segurava as calças.

 Vá para traz do posto
Lá tem um cantinho escurinho
Mas por favor, seu moço
Não suja pintura da parede.

Nem ao menos cheguei
Nesse tal cantinho
Fui logo descendo as calças
E uma rajada  foi logo saindo.

 A metralhadora automática
Que eu nem sabia que tinha
Não parava de atirar
Ttatatatatattataaararararara!

 Atirava pra todo lado
Parecia tiro de espingarda
Não sei  o que eu almocei
Para sair aquele tiroteio.

O estrago foi grande
Parecia uma explosão
Ainda olhei para traz
Para ver o que tinha feito.

Na parede branca do posto
Estava escrito em letras garrafais
Adivinham o que estava escrito:

AMENDOIM!

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