Minas gerais não têm praia
Porque se tivesse
Mineiro não viajava
Para conhecer o mar.
Ficava em minas gerais
Economizando um pouco mais
Viajava só no fim do ano
Nas festas de natal.
Quando mineiro vai à praia
Leva tudo e um pouco mais
Leva torresmo, farofa, caninha
E um pouco de uai.
Foi assim que um amigo
Que depois de crescido
Resolveu conhecer o mar
E aprender a nadar.
Uai, vou conhecer o mar.
Vou chamar o amigo Portel
Ele vai me ajudar.
Não me fiz de rogado
Para um amigo tudo se faz
Foi com esse pensamento
Que começou o meu azar.
As ondas fazendo chuar,
O
mineiro não parava
De falar: ita mar!
Falei para o mineiro
Você agora vai conhecer
Uma bela caipirinha
Dessas que não existem lá.
Ele desconfiado, disse:
Uai, veja lá amigo Portel
Sou casado e tenho família
Não quero saber de enguiço.
Relaxa ai mineiro
Essa caipirinha nada faz
É só pinga e açúcar
Depois que mal há?
Queria logo se afogar
Cueca samba canção
Do lado um amarelão.
Eu falei para ele trocar o cuecão
Aqui pertinho tem calção
Não me faz essa vergonha
Com essa cueca samba canção.
Mineiro é mão de vaga
Economiza até na diversão
Comprou um calção sem forração
Que não escondia o três oitão.
Eu falei para o mineiro
Vai para o mar e de lá não sai
Você está com um varal lotado
De lingüiça defumada, rapaz!
O calção quase transparente
Viam-se tudo que era indecenteO amigo que era negão,
Veja se isso é combinação.
Com o homem da barraquinha
Que caprichou na caipirinha.
Achando fraco a caipirinha
Ele disse: capricha na pinga
Foi ai que ele se enganou
Com a tal caipirinha.
Meia hora se foi não sei
O mineiro estava bêbadoEntão falei para o mineiro
Vá para o mar e não sai.
O mar é o melhor remédio
Cura qualquer cachaçada.
O mineiro parecia um peruUma hora quase ficou nu.
Nem café forte resolveu
Ainda fez foi vomitar
No carro, na calçada
Aonde ele ia parecia,
Que tinha engolido o mar.
Fazer xixi no banco da praça
Para completar a desgraçaComeu amendoim de graça.
Para encurtar a história
Eu disse para um ambulante
Que vendia amendoim ali:
Essa hora da noite
Você não vai vender amendoim.
Vem aqui conversar
Tenho uma história pra contar
Amanhã você visita a freguesia.
Hoje, esquece esse amendoim.
Com histórias de pescador
A roda foi aumentando
E as casca de amendoim
Pelo chão se espalhando.Quando comecei subir a serra
A coisa começou a revirar em mim.
Falei para o mineiro
Que se mantinha dormindo
A coisa aqui está ruim
Acho que foi o amendoim
No primeiro posto da pista
Embiquei o carro
Cego nem vi que o posto
Estava fechado pra reforma.
Estou passando mal
Já segurando as calças.
Era fazer nas calças
Comi amendoim de graça
Agora segurava as calças.
Lá tem um cantinho escurinho
Mas por favor, seu moço
Não suja pintura da parede.
Nesse tal cantinho
Fui logo descendo as calças
E uma rajada foi logo saindo.
Não parava de atirar
Ttatatatatattataaararararara!
Parecia tiro de espingarda
Não sei o que eu almocei
Para sair aquele tiroteio.
O estrago foi grande
Parecia uma explosão
Ainda olhei para traz
Para ver o que tinha feito.
Estava escrito em letras garrafais
Adivinham o que estava escrito:
AMENDOIM!
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