23 de abr. de 2014

Morador de rua II


Moço,
Eu vou contar a minha história
Para você entender como eu
Virei um morador de rua.

As auguras que eu passei
O que tive que fazer
Que ninguém queira saber


Não é fácil ser mendigo aqui
Passa fome e frio
 E ninguém quer saber.

Você chega nesta cidade
Sem nenhum amigo,
Sem lugar pra se abrigar.

Moço,
Não pensei que era assim
No meu sertão seco e pobre
Tem abrigo pra todos vocês.

Lá a gente não faz diferença
Pode ser rico ou pobre
Pra nós todos são iguais.

Aqui é tudo diferente
Nem parece com a gente
Tem tanta bonança
E muita desconfiança.

Foi o que me aconteceu
Cheguei em um dia frio
Sem saber pra onde ir.

Procurei um lugar para  
Abrigar um pobre nordestino
Mas aqui só tinha palácios
Que eu não podia entrar.


Fui para debaixo de uma ponte
Fui roubado e maltratado
Levaram os meus documentos
Agora nem sei quem eu sou.

Sem comida e sem abrigo
Virei um mísero mendigo
Que não tem onde morar.

Pra comprar a comida
Catei papelão e latinha
Que mal dava pra comer

Fui preso e confundido
Com um ladrão sanguinário
Eu não tinha salário
Cidadão indefeso
É o que a policia quer.

Moço,
Vou terminar a minha história
Vou voltar para o meu sertão
Nem que eu volte a pé
Lá eu sou gente e tenho fé
Que todos que vivem aqui
Um dia vá me visitar.

Vou preparar um mocunzar
Que é comida do meu sertão
Aqui eu só comia pão
Que mal me sustentava.

Morador de rua
Cada um tem a sua história
Quem quiser saber a minha
Vá a um viaduto
Eu estarei lá ,
Esperando você.


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