1 de dez. de 2013
As excluídas
Amigos da internet, aqui estão as poesias excluídas do meu livro. Algumas delas não foi possível incluir no livro Tardes Paulistanas e poemas mais devido não estarem prontas a tempo para serem incluídas no livros. Outras,eu fiz algumas delas posterior ao livro. E como estou sempre escrevendo, estou colocando aqui o que eu escrevo. Naturalmente tem poesias boas e poesias não tão boas assim. Para mim não importa a qualidade. Essa questão eu resolvo na hora de publicar em um livro, é claro. No entanto, para que os meus amigos da internet possa acompanhar meu trabalho estou sempre colocando alguma coisa aqui. Abaixo seguem algumas poesias que não vão estar no livro. Espero ansiosamente o livro chegar às minhas mãos para deixar aqui o link de compra e contando com a colaboração de todos, até a próxima.
Vida de Retirante
Moço, eu vim do sertão
No bolso, nenhum tostão
Vim tentar a sorte nesta cidade
Enquanto tenho mocidade.
Viajei três dias sem parar
Comendo farinha e rapadura
Sentado na tábua dura
Sofrendo todas auguras
Para até aqui chegar.
Não estou trazendo nada
Somente umas coisinhas,
Uns panos de me cobrir,
Os documentos eu tiro aqui
E o que mais me permitir.
Um sonho de menino
No coração de um homem
Uma paixão e o ensino,
Uma canção no peito,
Dos tempos de menino.
Tenho planos para minha vida
Estudar, trabalhar, crescer.
Nunca pensei que minha vida
Carecia de tanto sofrer.
Coisas deixadas para trás,
Meus sonhos de infância,
Meus amigos e a família
Trocados por bonança.
A minha determinação moço,
Fez de mim mais forte.
Vou trabalhar na construção
Construir as mais belas pontes
Para lembrar da canção.
Tá vendo aquele edifício, moço?
Eu trabalhei lá, que ironia:
Agora não posso entrar
Na construção que ajudei edificar.
Moço,
Aqui não era o que pensava
As pessoas não me olhavam
Com os olhos de alegria
Eu era um intruso,
Que ninguém queria.
Eu só quero um pouco de viver
Quero acrescentar, estabelecer.
Vim trabalhar na Construção,
Estudar e ganhar o pão.
O Senhor que é da cidade,
Não me trate como um traste
Preconceito é não ter conceito
Sou do norte sim, mas sou honesto.
Dê-me um emprego que eu agradeço
Um prato de comida, um endereço
Pois preciso mandar uma carta
Para meus parentes e dizer
O quanto eu estou carente.
Preciso mandar notícias
Dizer como cheguei e como estou
Por favor, preciso de um almoço
Não negue um pedaço de pão
Uma rede para meu descanso
Preciso deste seu favor...
Mas não.
Aqui gente tem medo de gente
Tudo é muito diferente
Aqui ninguém faz favor
Nem abriga desconhecido
Porque tem muito acontecido
E de tudo a gente tem medo.
Moço,
Perdão pela franqueza
Pela a minha fraqueza
A minha falta de beleza
E pela a minha tristeza.
Sou do norte, sou do Maranhão
Vim pra São Paulo ganhar o pão
Construir um lar e uma família
Ser feliz como vocês são.
Não sei se isso é errado
Não quero juntar trocado.
Lá no serrado, onde eu vivia
A gente recebia com alegria.
Pode ser estranho
Alguém andar tanto
Para conhecer outro santo
Mas eu vim de longe
Conhecer São Paulo.
Depois de muito tempo
Falo para vocês sem rancor
Por vocês tenho muito amor
Porque aprendi perdoar
Aprendi viver na adversidade
Aprendi viver nesta cidade.
São Paulo eu lhe falo
De todo coração
Se não existisse perdão
Eu não teria aqui ficado.
Agora sei o que você sentia
Quando aqui eu cheguei
Um estranho não se confia
Mas eu acreditei.
Vou terminando minha história
Sem contar vitória
Sem muitas perdas
Sem muitas glorias.
Vou deixá-los um dia
Sem deixar saudade
Sem muita vaidade
Sem nenhuma maldade.
Volto para o Maranhão
Como ondas para o mar
Vou voltar par o meu sertão
Onde pretendo descansar.
E se a sorte me sorrir
Viverei feliz, onde
Sem presa, sem agonia
Morrei um dia.
Menino sonhador
(Ao meu irmão Antônio)
Era um garoto
E como eu
Amava os Beatles
E o Rolling Stones
Ele cresceu
E se perdeu
Em coisas
Que não sonhou
Não mais cantou
Não fez poesia
E sua vida
O que se tornou?
Era um garoto
Que sonhava ser cantor
Fazia melodias de amor
E sem querer
Do seu caminho desviou.
Ele queria ser artista
Perdeu-se no caminho
Amar-se é coisa de egoísta
Sonhar é coisa de menino.
Cadê aquele menino
Que trocava cebola
Por peteca só pra ver
O azul do céu nelas?
Cadê aquele Rapaz
Que passava brilhantina
Desdenhava das meninas
Por ser ele o mais bonito?
Aonde está o homem
Que um dia sonhou
Ser artista de televisão
Desiludido se escondeu?
Aquele menino
Está escondido
Atrás da vida
Como fez ele
Certa vez
Correndo de mim.
Aquele rapaz
Que passava brilhantina
Aonde foi parar,
Aonde ele se escondeu?
Ele casou e virou homem
Como todos os homens
Aprisionam-se na casa
No lar, na família,
Como forma de dizer:
Eu sou feliz.
Ainda há tempo
De voltar a sonhar
Se não realizar
Não foi por falta
De tentar.
Era um garoto
E como eu
Amava os Beatles
E o Rolling Stones.
Vivia a vida sempre a cantar
E de repente ele se apaixonou
Casou, formou um lar, teve filhos
E seus sonhos foram trocados
Por coisas que ele nem imaginou.
Era um garoto que sonhava
Com o azul das petecas
Usava brilhantina nos cabelos
Desdenhava das meninas
Mas como todos fazem
Um dia ele amou, casou,
Enganou-se e foi feliz.
Um sonho é um sonho
Assim como um abraço
Um beijo, um carinho.
Nada supera um sonho
Quando ele é realizado.
Era um garoto
E como eu
Amava os Beatles
E o Rolling Stones.
Viveu a vida
Sempre a lutar
Por coisa que não sonhou.
Mas tem no peito
Um sentimento,
Uma paixão,
Que um dia
Pretende explorar.
Tá,tatá,ra,tatá,
Tatá, tatá, ra,tatá!
Sonho de consumo
Um dia eu sonhei
Ser artista de televisão
Fazer muito sucesso
Ganhar na mega sena
Amar uma bela atriz
Ser rico e ser feliz.
Comprar um belo iate
Navegar pelos mares
Ter um cachorro que late
Ter uma bela mansão
E outras que coisas são
O meu sonho de consumo
de todo milionário.
Ninguém merece:
Viver de salário
Morar na favela
Acordar cedo
Pegar trem lotado
Fazer xepa
Contar os trocados
Casar sem amor
Sustentar cunhado
Morar com a sogra
Fazer o carro pegar
no tranco
Levar o troco
Ficar louco
Não ser feliz.
Ninguém merece!
Pipa
Perdida nos seus pensamentos
Vagando em nuvens e sentimentos
Como uma pipa no ar
Navega em terras distantes,
Ninguém sabe onde vai chegar.
Ela faz planos e projetos
Imagina situações,
Que nunca vai se realizar.
Ela é mesmo uma pipa no ar
Está sempre nas nuvens a pensar
Construindo sonhos e castelos
Que só ela sabe falar.
Pipa querida de toda gente
Que mora em seu habitar
Aos poucos constrói
Seu próprio lar.
Pipa querida minha
Vive cheia de fantasia
Tenho-lhe muito apreço
Pois como eu,
Ela vive sempre a sonhar.
Noite de amor.
Hoje eu sonhei loucuras de amor
Alguém me amava sem parar
Ela nem tirava o vestido
Era um amor de amantes
De dois adolescentes.
Ela estava de vestido azul
Parecendo uma camponesa
Do Rio Grande do Sul.
Sorria descontroladamente!
Dizia contente
Você é meu amante.
Sorria graciosamente, vibrante
Era minha para sempre,
Era tudo que eu queria ouvir
Depois de um dia estressante
Que sonho interessante.?
,
Acordei com o rádio ligado
Tocando Roberto Carlos
Amada, amante...
Que sonho interessante.
Saí pelas ruas da cidade
Procurando alguém assim
Mas não encontrei ninguém
Fiquei pensando no sonho
A realidade era diferente.
Sonhos são sempre assim
A melhor parte acaba sem fim
A garota que eu amava,
O carrão e a estrada
Os beijos e o amasso
Acabavam antes do fim.
E a camponesa dos olhos azuis,
Não era quem eu imaginava.
A canção que tocava,
A cama e o cansaço,
Eram o que me faziam sonhar.
Garota dos meus sonhos
Venha esta noite novamente
Sussurrar baixinho,
Sorrir descontroladamente.
Falar baixinho, fazer biquinho
Que eu estou carente.
Venha nos meus sonhos,
Venha fazer diferente
Só mais uma noite
Eu estou carente.
Serei seu eternamente,
Nos devaneios delirantes
Nos meus sonhos vibrantes
Venha nesta noite novamente.
Conselhos de mãe
Filha,
Esse cara não é para você
Ele não presta, ele mente
Ele não fala o que sente
Ele é um indecente
Esse cara não a ama
Ele só quer se aproveitar
De você, acredite
Ouça o que eu digo.
Não case com ele
Esse cara não a ama
Ele não é normal
Não acredite em tudo
Que ele diz.
Ouça o que eu digo
Esse cara é malandro
Passa a noite na balada
Gasta tudo que ganha
Ele não é para você.
Esse cara não é pra você
Era o que a sua avó dizia
E sua mãe nunca acreditou
Por ele se apaixonou
Esse cara é seu pai.
Um dia ruim
Hoje amanheci assim, ruim
Ovo virado, irado,zangado.
Daqueles dias que tudo é ruim...
Com cara de boi malvado,
Melado, aborrecido, de Chico!
Resolvi escrever o que eu sentia
Ai eu pensei o que escreveria
Fiquei nesta agonia, angustiado
Meio melado, com cara de malvado,
Olhos caídos, traídos, fingidos!
Não sei se isto é normal
Não sei isto faz mal
Não sei se tô legal
Nem é carnaval, pô!
Porque estou assim?
Resolvi por fim, dá um fim!
Enfiar minha viola no saco,
Mas que saco!Tudo tá ruim?
Eu não sou tocador de viola
E nem tenho viola, oras!
É isto o que se diz no interior
Quando um sujeito com eu,
Melado, zangado,chato!
Resolve se mancar, desbancar:
Fui!
Sou escritor e poeta, mas também cultivo o ocultismo. Tenho o dom de sonhar com eventos que ainda vai acontecer, faço interpretação e desenvolvo teorias espirituais.
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