24 de nov. de 2011

Prazo de validade

Nos atuais tempos modernos tudo tem prazo de validade ou selo de garantia. Houve um tempo em que as pessoas confiavam nas outras e nas empresas que forneciam seus produtos. Mas com a industrialização e o capitalismo desenfreado, certas regras foram feitas para que todos tenham seus direitos preservados. Hoje qualquer coisa que se compra tem a data de fabricação ou o selo de garantia. Seja um produto perecível ou durável é obrigatório ter um selo de garantia, um prazo para o consumo. Certos serviços têm uma garantia de três meses ou mais, dependendo do serviço e da contratação. Sou de um tempo em que as caixas de fósforo tinham um selinho, e as meninas também. Hoje para que o consumidor não seja enganado, tudo vem validado por um selo ou por um órgão que regula o setor. Fico imaginando de onde surgiu tudo isso. Será que foi por causa dos espertalhões ou tudo tem uma função filosófica que vai além do nosso imaginário? Fico pensando na validade do amor, da amizade, do carinho e do casamento. Será que tudo tem uma validade ou somos nós mesmo que impomos o fim de algumas coisas? Filosofar nesses termos até que se vai longe. Imagine o seu prazo de validade. Imagine que você tem um prazo para ficar aqui na terra e não sabe qual data. Imagine também que todos nós somos fabricados e carimbados a data de validade em um lugar que só Deus sabe. Imagine que vivemos com prazo de validade sob um código de barra que só Deus sabe. Tudo parece loucura, mas o homem refle sua vida no que faz e no que consome. Comemos não para viver mais, comemos para morrer logo. Comemos para engordar, comemos para adquirir doenças cardiovasculares e morrer de infarto. O nosso trabalho, onde nos leva? Porque não fazemos nada e vivemos de brisa. Talvez fossemos mais felizes se não tivéssemos que correr atrás do dinheiro e do conforto. Porém tudo tem um sentido. O pescador morre no mar assim como o piloto de avião morre no ar. O motorista de caminhão, o carroceiro, motoqueiro, pintor, mecânico, enfim todos são conduzidos a fazer alguma coisa que redunda seu fim. Triste, não? Parece que sim, mas tudo também parece uma trama divina para que todos nós sejamos conduzidos para o fim através dos fins. Aquela história que o homem é o produto do meio, parece ter sentido. Não faz muito tempo, quando não existia veículo, as pessoas não morriam atropeladas e nem de acidente de automóvel. Antes de existir o avião, o automóvel, a moto, enfim o homem só morria de causas naturais ou assassinadas. Hoje com tanta tecnologia para salvá-lo, parece ironia, temos mais causas para morrer do que há duzentos anos. Cada pessoas que nasce parece que vem com seu prazo de validade em um código de barra que só Deus sabe. Esse código os médicos tentam a todo custo desvendar. Pesquisando novos medicamentos, novos tratamentos, enfim tudo para adiar o inevitável: Nosso prazo de validade

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